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O trânsito caótico de Joinville


Rotina diária dos motoristas em Joinville


O caos no trânsito de Joinville tem se intensificado a cada ano, refletindo os desafios crescentes da mobilidade urbana na maior cidade de Santa Catarina. Este problema, contudo, tem sido negligenciado, pelos setores público e privado, nos últimos anos.

O direito fundamental de ir e vir encontra obstáculos no compartilhamento das vias por uma variedade de modais, incluindo pessoas, carros, motos, bicicletas, caminhões e ônibus.

A urgência de melhorias na mobilidade urbana nunca foi tão evidente. Para propor soluções eficazes, é necessário compreender as dificuldades enfrentadas. Diferentemente de outras cidades do porte de Joinville, que normalmente possuem amplas avenidas, a cidade mais populosa do estado não tem muitas vias de grandes dimensões.


Jessica Nascimento, moradora do bairro Paranaguamirim, na zona sul da cidade, relata sua rotina diária, onde a troca de três ônibus para percorrer o trajeto do trabalho ao lar, leva duas horas. "É todo dia a mesma coisa. Nos lugares com faixa exclusiva para ônibus é rápido, mas a troca nos terminais e o trecho da Monsenhor Gercino demoram demais", reclama.


Edson Souza, que reside no Iririú, diz que tentou deixar o carro em casa. "O uber foi uma solução no começo, mas agora, na saída do trabalho o preço das corridas ficou elevado, não tem ponto de ônibus perto de casa, além do mais moro num morro, então essa não é a alternativa certa. Agora optei pela bicicleta, o problema é com esse calor chego no trabalho encharcado de suor."



O poder público tem implementado medidas paliativas, como o aumento de faixas exclusivas para ônibus, ciclovias e abertura de binários, porém, estas intervenções estão longe de solucionar o problema. Em dias de chuva, frequentes em Joinville, a situação se agrava. Segundo o IBGE (2023), a cidade conta com uma frota de 455 mil veículos, sendo 73% carros e caminhonetes, tornando-se a 21ª maior frota de automóveis do país, de acordo com a Senatran. O sistema viário da cidade permanece praticamente inalterado desde os anos 70, sem previsão de melhorias. A falta de investimentos é evidente, como na pequena duplicação da Ottokar Doerffel, revelando a falta de preocupação com obras viárias.


Seja nos congestionamentos automobilísticos, nos ônibus sem ar condicionado ou nos perigos para os ciclistas, é fato que Joinville requer obras urgentes e de grande dimensão antes que ocorra um colapso no sistema viário da cidade. O desafio agora é colocar a mobilidade urbana no topo da agenda, promovendo uma discussão ampla e a busca por soluções que transformem a realidade caótica nas vias joinvilenses.





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