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Por que o PT não deu certo em Joinville?


Sede da Associação Desportiva Embraco, no Costa e Silva


Joinville, conhecida por sua forte presença sindical e pela indústria metal-mecânica, é uma cidade que sempre se destacou no cenário brasileiro, mas que, curiosamente, nunca viu o Partido dos Trabalhadores (PT) prosperar da mesma forma que a legenda consegue no ABC paulista, por exemplo. Apesar de compartilhar elementos em comum, como a presença sindical e a indústria forte, a trajetória política do PT em Joinville sempre foi modesta, exceto por um mandato de Carlito Merss (2009- 2012), durante o auge do partido no Brasil.


Antes que alguém diga que o insucesso do partido em Joinville tem relação com a corrupção, é preciso lembrar que estamos falando do PT dos anos 80, quando tinha algum prestígio e fama de, supostamente, não se envolver em corrupção. Faz muito tempo, é claro.


No entanto, ao examinar essa discrepância entre o ABC e Joinville, é importante lembrar que a história política e econômica de uma cidade é fortemente influenciada por sua cultura e seu contexto específico. Em Joinville, uma explicação inicial pode ser encontrada na presença marcante da comunidade de origem alemã, que foi responsável pela formação da maior parte das empresas na cidade. Essas empresas costumavam oferecer condições de trabalho diferenciadas, salários atrativos e uma série de benefícios, incluindo clubes recreativos, ambulatórios médicos, dentistas e vantagens especiais na compra de alimentos. Tudo isso era fornecido aos trabalhadores sem a necessidade de intervenção sindical.


A verdade é que, na época, as grandes indústrias de Joinville eram consideradas excelentes locais de trabalho, e os jovens da cidade e até de outras regiões do Brasil aspiravam fazer carreira em corporações como Tupy, Tigre e Embraco. Os funcionários dessas empresas eram, de certa forma, rivais, orgulhosos de pertencerem a suas respectivas empresas.


Contudo, com o tempo, a chegada dos sindicatos nivelou por baixo as condições de trabalho dos funcionários das grandes indústrias de Joinville, alinhando-as mais com o que se fazia no restante do Brasil. Os sindicatos, mesmo na tentativa de melhorar as condições dos trabalhadores, não conseguiram demonstrar que podiam oferecer algo melhor do que as empresas já ofereciam.


Nesse contexto, a forte relação entre sindicatos e o Partido dos Trabalhadores pode ter contribuído para que, na cidade da indústria metal-mecânica, ninguém ficasse impressionado com o que o PT tinha a oferecer. A proximidade do PT com os sindicatos, que nem sempre foi vista com bons olhos pelos empresários e trabalhadores, pode ter desencorajado o crescimento do partido na região.


Hoje, é verdade que o PT enfrenta desafios adicionais, com casos de corrupção que minaram sua reputação. No entanto, essa dinâmica peculiar de Joinville, onde as empresas tradicionalmente ofereciam condições de trabalho atrativas, desempenhou um papel significativo na história da política local e pode explicar por que o Partido dos Trabalhadores nunca conseguiu ganhar o mesmo destaque que em outras regiões do país.

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