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Pé na porta

Luiz Carlos Prates



O passaporte da vida é a saúde. Tens saúde? Então, não tens do que te queixar, é enfiar o pé na porta da vida e sair para o abraço. – Ah, Prates, quanta grosseria! Não, leitora, não é grosseria, é verdade pura, ademais, estava falando comigo mesmo. Nunca me levei para compadre. Esta minha mal disfarçada irritação resulta, se for irritação, de um anúncio que vi num jornal de Porto Alegre. O anúncio era um pedido de ajuda para uma histórica instituição de apoio a crianças órfãs ou abandonadas. O título do anúncio foi o que me tirou do sério, dizia assim: - “Só existe uma coisa separando uma criança do que ela quer ser: uma oportunidade”. Primeiro erro do anúncio, criança não sabe o que quer ser, criança precisa é de segurança, afeto, lazeres, paz... O querer ser em nossa vida aparece bem mais tarde, quando uma criança aos sete anos diz que quer ser isto ou aquilo ela não sabe de nada, está apenas repetindo o que já ouviu alguém dizer. A partir dos 12 anos, quando “oficialmente” acabava a infância, é que a família, os mais velhos por perto, começavam a insinuar alguma coisa para o futuro das até então crianças. E digo mais, hoje, sabemos que em torno de quase 75% dos estudantes já universitários não sabem o que querem na vida. Pesquisas repetidas dizem isso. Todos temos que saber do que queremos na vida, não há, todavia, um marco divisório para essa decisão. Mas supondo que alguém pobre, que foi abandonado, que mais tarde foi adotado e que mesmo assim continue sem largos horizontes pela frente, é de responsabilidade dessa pessoa criar suas “oportunidades” na vida, sem essa de que alguém lhe tem que dar oportunidades. Sem essa. Há milhões de histórias aqui por perto e pelo mundo de pessoas que nasceram no pior cenário e assim foram crescendo, mas, mesmo assim, criaram suas oportunidades e hoje respiram sem apertos na cinta. Ou nós abrirmos a porta das nossas oportunidades na vida ou tiremos o timezinho de campo, um timezinho que não vai ganhar os jogos árduos da vida. “Esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer”! Geraldo Vandré tinha razão quando compôs essa música...


Revolução

Dizem que o Brasil um dia foi descoberto, lá atrás, em 1500... Não foi descoberto coisa nenhuma, só será descoberto quando houver de norte a sul a Revolução Cultural, a revolução dos usos e costumes. Como isso? Ouça esta manchete: - “Venda de veículos novos cresceu 24% no primeiro semestre”. Ah, é? E a venda de livros, as “armas” da revolução cultural, quanto cresceram em vendas? Livros causam urticária na maioria que anda por aí. As livrarias que o digam...



Inútil

Dia destes foram comemorados os 17 anos da Lei Maria da Penha, a mais inútil das leis. E quem discorda? Veja os números, aqui mesmo da cidade, veja no Brasil inteiro, cada vez mais estupros, surras e feminicídios, impunes. Alguns casos, bem poucos, resultam em condenação, mas jamais a condenação que devia ser. Os “flácidos” e covardes têm que aprender de um modo “especial”, inesquecível... Ah, e sem falar na inutilidade das “medidas protetivas”, desrespeitadas, inúteis. Reajam, mulheres!


Falta Dizer

Quando a nossa cabeça está cheia de ansiedades, frustrações, encrencas de todo tipo, enfim, o que mais fazemos é... Isso mesmo, ir à cozinha e encher o pandulho, opa, desculpe, quis dizer estômago. Comer nos anestesia das angústias, mas a um preço que bem conhecemos, não é mesmo, dona Balança?




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