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O Inferno são os Outros


Disrupção: Tudo com Raphael Rocha Lopes


“♫ Você ri da minha roupa/ Você ri do meu cabelo/ Você ri da minha pele/ Você ri do meu sorriso/ A verdade é que você/ Tem sangue crioulo/ Tem cabelo duro/ Sarará crioulo” (Olhos coloridos, Sandra de Sá)


Volta e meia alguém me pergunta se escrevo apontando o dedo para os radicais da esquerda ou da direita ou para o pessoal do centro ou qualquer outro viés político.


Por vezes assusto-me com essas indagações porque não escrevo para ou contra nenhum espectro político-partidário. Escrevo sobre educação e comportamento digitais. Escrevo para todos que quiserem refletir um pouco mais sobre os rumos e futuros da humanidade neste contexto que envolve tecnologia e inovação, e que vem, indiscutivelmente, refletindo na vida de todos, de direita, de esquerda, preto, branco, pobre, rico, magro, gordo, homem, mulher, adulto, criança.


A reflexão sobre a dúvida


De todo modo, este eventual questionamento sobre viés político-partidário me fez refletir sobre o que escrevo e sobre como as pessoas recebem o que escrevo. Muitas vezes a mensagem do remetente não é a mesma do destinatário. O texto é, mas a interpretação não.


E o que mais me impressiona quando alguém tenta transformar meus textos em panfletos políticos é a percepção daqueles que estão imersos nos seus próprios metaversos paralelos cheios de teorias da conspiração, aqueles dos “nós contra eles”. Sempre acham que, quando há uma crítica comportamental, refiro-me ao outro lado, indiscutivelmente ao outro lado. Afinal, o inferno são os outros.


A verdade está lá fora


E está lá fora em diversos aspectos. Com o perdão do trocadilho, a bem da verdade não há donos da verdade.


Com o crescimento rápido, nos últimos anos, da interferência e intervenção da tecnologia em nossas vidas, muitas pessoas estão se esquecendo da prática das coisas mais triviais do dia a dia.


Esqueceram de caminhar e olhar as árvores e as nuvens (quando as calçadas permitem) porque estão vidradas no celular. Esqueceram de brincar e conversar com seus filhos pequenos porque é mais fácil entregar um tablet para elas se aquietarem (outro dia num café, uma amiga comentou sobre os indícios de síndrome de abstinência do filho de amigos dela quando ficou à mesa sem o aparelho – simplesmente não se aquietava, reação que já não teve no segundo dia, ao brincar com as outras crianças; estavam numa casa de praia). Esqueceram de ler livros, absortos na inundação de mensagens com informações falsas em seus grupos de WhatsApp, especialmente nos da família, que, ultimamente, em alguns deles, o que menos se faz é falar sobre a família.


Então lá fora talvez esteja a solução para tantos dilemas. Tirar os olhos e a mente das telas de vez em quando pode fazer bem ao cérebro, ao espírito e ao próprio corpo. Mais do que isso, na internet sair da sua bolha vai fazer bem à saúde mental. O único jeito de conseguir dialogar é entender todos os lados. Do contrário, as pessoas continuarão fantoches dos algoritmos e dos políticos manipuladores e ainda acharão que têm razão, rindo uns dos outros, mas sem saber exatamente por quê.






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