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Fundo do poço

Luiz Carlos Prates


Não adianta procurar lá fora o que não estiver aqui dentro. Explico. É perda de tempo procurar fora de nós o que só pode ser encontrado dentro de nós. Um exemplo imediato: muitas pessoas, mais mulheres que homens, escoram suas vaidades, seus sentidos de vida nos reflexos do espelho. Pessoas que se acham bonitas ou que buscam ficar bonitas. Pessoas que se valem essencialmente do que ouvem dizer sobre beleza. Refinada estupidez alguém se escorar nessa vaidade inane, vazia, idiota mesmo. A beleza eventual de hoje vai ser uma caricatura amanhã, e esse amanhã está logo ali na passagem do tempo. Ademais, o “pombinho” que se apaixonou pela beleza “dela” em poucos meses não vai mais vê-la como bonita. O que está ao nosso lado, o que nos “pertence” tende a ser subestimado. É lei da vida e do convívio. Por que estou neste assunto? Porque acabei de saber de uma pesquisa feita por ingleses da Universidade Anglia Ruskin em 60 países, pesquisa sobre autoestima. O Brasil ficou na posição 54, fundo do poço. A “brasileirada” não se dá conta, mas vive rastejando, autoestima lá embaixo. Enganam-se com “seguidores”, postagens idiotas, mensagens vazias para lá e para cá, e... Na hora em que fecham a porta do quarto à noite não dormem. Não dormem porque sabem se veem se valores, autoestima lá embaixo. Autoestima é um reconhecimento de valores pessoais. E esses valores não funcionam se dependerem de carros, casa, saldo bancário, beleza física, essas coisas todas que o dinheiro pode comprar ou uma Mega-Sena viabilizar. Se a nossa autoestima não estiver calcada sobre um valor moral, artístico, um dom especial que nos faça diferentes e notados, nada nos vai fazer felizes. Não tem cabimento que gente que conhecemos, gente que anda por aí arrotando peru, mas comendo brasas diariamente, qualifique-se no fim da fila da autoestima mundial. Mas espere... Pensando bem, faz sentido. Mentiras não nos enchem o prato da vida. Fique, todavia, bem claro: todos podemos nos olhar no espelho com mais respeito e reconhecimentos, depende de nós, depende de um propósito, de uma lisura existencial e de um compromisso alongado na vida. O mais é o que anda por aí, mentirosos frustrados das redes sociais... Cuidemo-nos para não cair na rede...


Lados

A nossa vida tem dois lados, o de dentro, nós com nós mesmos, e o de fora, com os outros. O lado que decide a felicidade, a saúde, a autoestima, o viver bem, é o lado de dentro, o mais difícil de ser administrado. A maioria costuma viver na dependência do que os outros vão pensar. E, sendo assim, lá adiante, nos adiantados da vida, quem viveu esse equívoco vai se dar conta de que foi infeliz por conta própria, será tarde. Respeito e decência do lado de fora, e vida, muita vida do lado de dentro, que é onde vivemos com nós mesmos.


Vida

Não podemos viver com a corda da vida puxada em nosso pescoço. Puxada pelos outros. Com os outros, respeito, cumprimento dos deveres... No mais, é tudo conosco, sem essa de viver pensando no que os outros vão pensar, que se lixem os outros, se estivermos, é claro, nos trilhos da decência.




Falta Dizer

Não tem cabimento o Brasil ser líder mundial em matança de mulheres. E as leis meramente simbólicas, teatrais, homens decidindo. Matou uma mulher? A pena mínima tem que ser de 40 anos em cela isolada, sem saidinhas. Ferro pesado. Se fossem as mulheres as matadoras, bah, estariam fritas. Brasil asco.


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