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Difícil, mas não impossível

Disrupção: tudo com Raphael Rocha Lopes




“♫ A vida é uma chateação?/ É!/ Está cheia de proibição?/ É!/ Então, abra um sorriso/ E quando for preciso/ Use a imaginação” (Use a imaginação; Zé Vasconcelos e a Turma do Pirlimpimpim; do disco Plunct Plact Zum).


Criar filhos é um desafio. Tenho uma filha prestes a fazer 30 anos e um que acabou de fazer três. Além da minha idade nos dois casos, outros desafios na criação deles foram e são diferentes em diversos aspectos.

Hoje vou falar nos dois principais desafios para educar filhos no atual momento pelo qual a sociedade passa: excesso de internet e falta de tempo (dos pais para os filhos).


Telas para tudo

Foi-se o tempo que crianças perturbavam, com suas correrias e gritarias, nos restaurantes e festas. Uma falta de educação dos pais que não estavam minimamente preocupados com seus rebentos atrapalhando os outros, derrubando e quebrando coisas, fazendo o diabo.

Hoje em dia, nos mesmos ambientes, há um silêncio assustador. Gritante mudez, salvo raríssimas exceções. As crianças, inclusive bebês, hipnotizados pelos smartphones ou tablets de seus pais – ou já seus mesmos. Desaprendendo a comer sozinhas porque os pais e mães enfiam colheradas boca adentro durante suas conversas com os outros adultos aproveitando o silêncio letárgico de seus herdeiros. Ou enquanto eles mesmos, os pais, estão igualmente anestesiados pelos celulares.

Aquelas brincadeiras no carro durante as viagens de família? Substituídas pelas telas. Conversas nos passeios nos parques? Pais empurrando carrinhos ou motocas com celulares nas mãos enquanto seus filhos comem moscas. Jogos de tabuleiro, quebra-cabeças ou qualquer outra brincadeira lúdica de família no final do dia? Séries para maratonar (um verbo praticamente criado com as plataformas de streaming) e mensagens do WhatsApp para responder. Já recebi notícias de pais que deixam seus filhos dormirem com a roupa da escola, ou que nem veem com que roupa vão para a escola por causa desta epidemia.


Não é fácil

Minha primeira filha nasceu quando os celulares estavam começando a chegar no Brasil. Os famosos tijolões, acessíveis apenas aos endinheirados. Quando as redes sociais começaram a ganhar força, ela já tinha seus 15 anos.

Hoje as crianças debutam nas redes sociais antes de qualquer lugar. Isso, por si só, não é ruim. O péssimo é o exagero e a falta de controle. Vejo crianças com dois anos experts em mexer em smartphones, curvadas, com olhos quase grudados nos aparelhos. Ortopedistas e oftalmologistas terão muito trabalho pela frente – se não forem substituídos por robôs antes. Acreditem: já há notícias de crianças com síndrome de abstinência de internet e celulares!!

Como tenho um filho pequeno, posso dizer: não é fácil. O celular é traiçoeiro. Volta e meia aparece, do nada, nas nossas mãos. Lá em casa, temos algumas regras importantes que nos ajudam. Por sorte, tenho uma mulher que compactua do que penso e nos tornamos fiscais um do outro. Sem neuroses ou exageros. Coisas simples.

Na hora das refeições e das interações com o pequeno, sem celular. Não que o acesso dele seja absolutamente inexistente: ele vê fotos ou vídeos de vez em quando e faz videochamadas para a avó e para a irmã. Sempre acompanhado e por pouco tempo. Estimulamos diariamente brincadeiras, tanto sozinho como em família, e leitura. E com bastante constância, embora não diariamente, provocamos a reflexão e a observação. De uma nuvem no céu a uma formiga no chão. No carro, em viagens, haja criatividade! E tem que ter paciência também. Às vezes pedimos revezamento, pois nem sempre os dois estão com aquela paciência de Jó.

Não é fácil. Mas não é impossível. E as crianças agradecerão no futuro. Do contrário, teremos seres ainda mais bitolados do que estamos vendo nos últimos tempos. E cada vez mais indiferentes à família.

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