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Diário de Bordo (1)

Um Brasil diferente em Belém. Dois dias na capital do Pará



Ameaça de morte


Aquele episódio do Recanto do Pará na zona Leste de Joinville repercutiu muito em Belém do Pará, especialmente, é claro, nas torcidas de Remo e Paysandu. Torcedores dessas equipes de Belém acompanharam o clássico e ficaram no local para a “resenha”. Um grupo de vândalos entrou no local com máscaras e capacetes – obviamente para não serem identificados – mas esqueceram da camisa de uma torcida organizada do JEC. “Tira a camisa (do time do Pará) ou vai morrer”, disse um dos agressores. Um homem ficou desacordado e acabou na UTI do Hospital Regional. Um taxista me disse que a revolta foi grande e que um dos membros de uma torcida organizada do Remo declarou à TV local: “quero ver a torcida de um time catarinense vir a Belém. Vamos fazer o mesmo que fizeram no Sul”.


Old fashioned hay


fotos: Luiz Veríssimo


Em Belém o táxi ainda é maioria. Os aplicativos são lentos e na maioria das vezes não aceitam corridas próximas. Já no primeiro dia desisti de chamar o UBER. Tive que ir duas vezes do hotel até ao aeroporto. Minha mala extraviou. Fui a primeira vez no final da tarde do dia 7 e o serviço estava fechado. Fui na manhã do dia 8 e consegui. Em ambas as viagens negociei com taxistas. Paguei R$ 60,00 na primeira e R$ 50,00 na segunda. No aplicativo do UBER só a ida custava R$ 23,00. A cada esquina da Avenida Presidente Vargas tem um ponto de táxi. São limpos e baratos. Aqui também tem um jornal diário em todas as bancas. O Liberal ainda resiste e mantém sua edição impressa. Ele pertence ao maior grupo de comunicação do Pará, que tem as emissoras filiadas à Rede Globo.


PIX



Fiquei impressionado com a popularidade do PIX entre os ambulantes. Um dia antes de viajar tentei fazer um depósito em uma lotérica de Joinville e fui informado que não utilizavam PIX. Em São José dos Pinhais fui almoçar na Churrascaria Los Pampas. Levei só o celular. Antes de terminar perguntei ao garçom se aceitavam PIX. Não. E agora? Não acreditei e terminei o almoço antes da hora e fui ao caixa. “Sim”, respondeu ela. “Faça um Pix para mim que eu pago a conta com meu cartão”. Simples. Em Belém o PIX é aceito pela maioria dos ambulantes. Duas realidades distintas.


Informalidade




Em ambos os lados da Avenida Presidente Vargas os ambulantes “atrapalham” os pedestres. São centenas em cada quadra oferecendo tudo que se pode imaginar, desde água de coco, protetor de celular, sucos, salgadinhos, entre outros. Na rua do meu hotel, quase na esquina com a Presidente Vargas, caminhei com dificuldades e encontrei até barracas de comidas típicas em plena calçada. Tacaca e outros pratos típicos da região. Encontrei um ambulante em uma barraquinha que vendia cintos. Comprei um. Como estava com máscara do Grêmio ele puxou conversa. Disse que era de Joinville. “Conheço, estive alguns dias e também em Blumenau. Conheço Santa Maria...”. Esta manhã fui a pé até a estação pluvial comprar minha passagem para Soure, na Ilha de Marajó. Foram 14 minutos de caminhada. Na volta encontrei duas mulheres que me pediram dinheiro. Dei R$ 5,00 que tinha no bolso. Uma com cerca de 50 anos e outra com 20. Eram indígenas da Venezuela que haviam chegado há três dias. Estavam pedindo dinheiro para matar a “hambre”.


Travessia


Logo mais às 14 horas viajo para Belterra. Serão duas horas em uma “lancha rápida”. De lá pegarei uma Van até o hotel em Soure, maior cidade da ilha, meu destino nestes próximos quatro dias. Serão três horas de viagem na Van.


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