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Como ficam os álbuns de figurinhas da Copa na era Digital


Disrupção: Tudo com Raphael



“♫ Pula, cai, levanta, mete gol, vibra/ Abre espaço, chuta e agradece/ Olha que a cidade/ Toda ficou vazia/ Nessa tarde de domingo/ Só para lhe ver jogar/ Umbabarauma homem-gol/ Umbabarauma homem-gol” (Umbabarauma, Jorge Ben Jor).


Quase toda criança já teve um álbum de figurinhas. Pelo menos até pouco tempo, quando celular e internet não dominavam a cabeça da criançada. Havia álbuns de todos os tipos e qualidades. Mas nada superava as febres que vinham com os álbuns das Copas do Mundo de Futebol.


Em tempos menos, digamos, politicamente corretos, havia até álbuns com figurinhas que vinham em chicletes. Quantas dentições correram riscos para que se pudesse completá-los!


E as compras dos pacotinhos de figurinhas eram homeopáticas. Raríssimos eram aqueles que podiam comprar pacotes e pacotes de uma vez só para preencher logo seu álbum. Nos recreios, a garotada trocava as figurinhas e jogava bafo. Com um pouco de sorte e habilidade podia-se completar o álbum sem ter que comprar tantos pacotes. Sempre existiram as figurinhas mais raras ou mais desejadas...


E veio a internet...

... e com ela algumas mudanças de comportamento.


Não lembro exatamente o que aconteceu, no que se refere aos álbuns de figurinhas, nas últimas copas. Na atual, tenho percebido um grande interesse da molecada, inclusive com escolas tendo que ajustar horários para que haja tempo satisfatório para as trocas e negociações entre os alunos.


Não sei, porém, se essa onda é nata das crianças e adolescentes, ou se foi incutida pelos seus pais. É muito comum vê-los nas bancas de revistas – ou onde quer que haja álbuns e figurinhas – mais empolgados que os próprios filhos para comprar ou trocar. Há um ar nostálgico que traz boas lembranças para muita gente.


Mas como a internet interfere nesta brincadeira?


Indiscutivelmente a internet (e tudo que orbita em função dela) toma muito tempo de pais e filhos. Vê-se, na minha opinião, pelo menos, adolescentes e crianças passando tempo demais com celulares nas mãos ou acessando internet em seus computadores ou notebooks.


Isso significa que os álbuns (se não forem os pais que estão colando as figurinhas) podem ser uma interessante válvula de escape para desanuviar as mentes digitalizadas das crianças e dos adolescentes. Afinal, há várias informações bacanas e curiosas nos próprios álbuns e figurinhas, sem contar o ato em si de manusear o livreto e os cromos (cara, quem usa a palavra cromo para figurinha hoje em dia?!).


Atos robotizados


Acontece que a internet tem trazido uma praga que está acabando com a criatividade, a paciência e o conhecimento: o imediatismo. Ter acesso a tudo tão rápido está fazendo com que crianças e adolescentes (e adultos também) não consigam mais lidar com esperas, fiquem ansiosas demais, e tenham problemas de foco.


O que seria dessa garotada se a internet voltasse a ser discada, se tivessem que pegar fila para ligar do orelhão ou se tivessem que escutar uma fita cassete inteira sem ficar pulando de música? Ou colar com cola de tubo as figurinhas?


Isso reflete nos álbuns de figurinhas também. Quantas das empolgadas crianças realmente param para saber quais são as seleções, os jogadores, os estádios ou as outras curiosidades das figurinhas que estão colando? E quantas estão robotizadas, colando só por colar e só para completar o álbum?


De todo modo, esta é mais uma excelente oportunidade de aproximação fora das telas entre pais e filhos, incluindo aqui mães e meninas, para boas conversas e interações.



E, sim, meu filho de um ano também já está com seu álbum de figurinhas desta Copa!

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