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Catfish: o que você tem a ver com isso?

Disrupção: Tudo com Raphael Rocha Lopes

Whenever I'm alone with you/ You make me feel like I am home again/ Whenever I'm alone with you/ You make me feel like I am whole again” (Lovesong; The Cure).


Catfish é uma espécie de peixe, algo como um bagre norte-americano. Mas catfish, ou catfishing, também é uma expressão utilizada, tanto nos EUA quanto aqui, para se referir a um tipo de golpe cada vez mais comum na internet.


O ardil é, basicamente, a utilização de perfil falso na internet para enganar a vítima. Apenas por curiosidade: reza a lenda urbana que esse nome, catfish, foi dado porque esse tipo de peixe é utilizado para manter outras espécies ativas, normalmente bacalhau, nos conveses dos grandes navios pesqueiros de alto-mar, para que não cheguem molengas e sem gosto a seus destinos. Ou seja, por analogia, o catfish está aí para deixar as pessoas alertas na internet. Mas como eu disse, isso parece ser só uma lenda mesmo.


O fato é que já há diversos filmes e documentários tratando do assunto e uma série americana retratando situações como essas, voltado ao estelionato afetivo ou sentimental, que também tem (ou tinha) uma versão brasileira. Se a origem da expressão é nebulosa, as intenções dos golpistas parecem não ser, com motivações, além das sentimentais, também financeiras ou de sacanagem mesmo.


Golpes sentimentais

O programa gringo que ganhou repercussão mundial – para um nicho estreito, é verdade – mostra vítimas que foram enganadas por meses ou anos acreditando que estavam mantendo uma relação afetiva e amorosa com pessoas reais, com promessas de um encontro que nunca chegava.


Ou pior, quando chegava descobria-se que não era a mesma pessoa das fotos das redes sociais ou aplicativos de comunicação. Desnecessário dizer o grau de frustração das vítimas, normalmente adolescentes e jovens, tanto do sexo feminino quanto masculino.


Não havia, nesses casos, qualquer intenção financeira ou econômica. Eram duas pessoas com carências afetivas, uma sabendo que estava enganando, a outra acreditando que tinha encontrado um príncipe ou princesa. E óbvio, o estrago era para a vítima, embora o golpista às vezes também sofresse com o desmascaramento, por perder seu parceiro/a amoroso/a virtual.


Golpes financeiros

Na mesma linha de vítimas enredadas por relacionamentos virtuais amorosos, há os golpistas que têm a única e exclusiva intenção de obter ganhos financeiros. Existem quadrilhas especializadas, e as investigações internacionais apontam para três países que lideram esta indústria: África do Sul, Nigéria e Índia. Europeus e norte-americanos ainda são as mais constantes vítimas nestes golpes transnacionais.


Assim como no caso anterior, o empenho dos estelionatários é grande. Não é incomum ficarem meses se relacionando com as vítimas para conseguirem, com os mais diversos argumentos, esvaziar as suas contas bancárias. Há até um manual para os grupos mais organizados, catalogando o passo a passo para qualquer resposta.


O caso mais inusitado que vi até agora foi da senhorinha japonesa que depositou todas suas economias para um “astronauta” que tinha sido abandonado pelo seu governo no espaço e que precisava do dinheiro para voltar para a Terra e finalmente conhecer seu grande amor.


Mas há, obviamente, questões bem mais prosaicas ocorrendo todos os dias no Brasil, como o golpe do encontro, em que a vítima é sequestrada, tem suas contas invadidas e ainda leva uma surra; ou das sextorsões, ou seja, dos nudes trocados que acabam saindo muito caro.


Bullying ou psicopatia


Um terceiro grupo de golpistas pode ser classificado como psicopatas ou praticantes de bullying. A diferença entre um e outro, quando há, muitas vezes é pequena. São pessoas que também constroem relações virtuais com a vítima e com o tempo vão sufocando-a de diversas maneiras, criando dependência daquela que a gente acredita que só acontece com os outros. Mas todos podem ser vítimas, seus amigos, você, eu, e quanto mais a pessoa se sente imune a estas artimanhas, maior a chance de o estrago ser grande.


O caso mais surreal que tive acesso foi de uma mulher bonita, bem-sucedida, com bons amigos e família equilibrada, que resolveu ajudar uma amiga que não via há uns anos e passou por dificuldades psicológicas e financeiras. Essa mulher passou a ter contato com os amigos da amiga, que, inicialmente, pareciam todos muito bacanas e prestativos. Ela chegou a se apaixonar por um deles, um engenheiro que morreu tragicamente em uma obra e levou as duas a um luto muito grande. Quando, mais tarde, ela quis se distanciar dessa amiga, que a estava sufocando psicologicamente, todos esses poucos amigos da amiga se viraram contra ela, inclusive com ameaças pesadas. Refletindo, mais tarde, a moça percebeu que provavelmente nenhuma dessas pessoas com quem ela conversava pelas redes sociais e por e-mails (antes da era do WhatsApp) existia. Foram todas criadas pela amiga...


Você tem certeza que conhece as pessoas com quem se relaciona nas redes sociais?


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