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Banimento dos celulares nas escolas

Disrupção: Tudo com Raphael Rocha Lopes

Divulgação Câmara dos Deputados


“♫ Algo que você não identifica/ Insiste em lhe atormentar/ Você implora por proteção/ Não sabe como vai acabar/ Ôh, crianças! Isso é só o fim/ Isso é só o fim/ Ôh, crianças! Isso é só o fim/ Isso é só o fim” (Só o fim; Camisa de Vênus).


Dei aulas em instituições de ensino superior por muitos anos. Passei pela fase em que os alunos utilizavam apenas cadernos, lápis e canetas, quando muito; depois, vieram os notebooks; então os celulares, que geraram um certo desconforto; e, por fim, a internet, que bagunçou tudo de vez (dependendo do ponto de vista).


Na fase dos notebooks e laptops, eu pedia para os alunos que os levavam se sentarem na última fileira da sala. Assim não tiravam a atenção dos colegas (já que nem todos estavam propriamente com a matéria das aulas em suas telas). Entretanto, com smartphones e internet, a coisa ficou feia e impossível de controlar. Alguns professores queriam proibi-los, outros simplesmente se conformavam. Levei algum tempo para perceber que o melhor caminho era transformá-los em ferramentas de apoio. Logo, passei a pedir que pesquisassem sobre determinados assuntos, fatos jurídicos ou históricos, e outras coisas que pudessem chamar a atenção deles. Em regra, funcionou.


E olha que eram jovens e adultos! É verdade que muitos não sabiam o que estavam fazendo lá; outros só estavam porque os pais obrigaram; e, nessa esteira, descarregamos muitos profissionais não vocacionados no mercado.

E as crianças?


Em regra, a atenção e a concentração de uma criança são mais difíceis de dominar do que de um jovem ou adulto. Imaginem, agora, uma criança com um celular na mão! E com internet com telas infinitas (aquelas redes sociais que nunca têm fim)!!

Se adicionarmos a este coquetel pais que estão aprisionados pelas telas de seus celulares, simplesmente esquecendo de interagir com seus filhos (ou, em outras palavras, esquecendo de suas obrigações de pais), dá para prever um problema tragicamente sério para as próximas gerações. (Se o leitor quiser ver a que ponto chega a situação, relatei alguns casos no meu Instagram esta semana).


Para se ter uma ideia, no Brasil, estudo apontou que cada 100 minutos diários da criança ou adolescente no celular correspondem a uma forte redução de suas notas. Por causa dessa avalanche de filhos com celulares e pais desnaturados, algumas escolas e alguns países estão tomando medidas mais drásticas.


A França já baniu os celulares nas escolas em 2018, a China em 2021, e a Holanda fará em 2024. Segundo a Unesco, um a cada quatro países já tomaram decisão nesse sentido. Na Noruega, o banimento melhorou radicalmente o aproveitamento no ensino médio, e na Espanha os resultados em matemática e ciência cresceram positivamente.


O fato é que as crianças estão passando, em vários países, muito mais tempo nas telas do que propriamente estudando. Alguns especialistas dizem que banir os celulares das escolas contribuirá com a prevenção da distração e do cyberbullying, além de proporcionar maior interação com relacionamentos reais, e um aprendizado mais voltado ao inter-relacionamento humano e ao próprio ser humano como centro.


O outro lado


Como tudo na vida, a reflexão inversa é necessária. Outros especialistas têm dito que celulares e internet podem conquistar crianças de baixa renda para os estudos.


Os smartphones, se aproveitados de maneira adequada pelas escolas, podem contribuir para estratégias de resiliência digital e para a alfabetização digital das crianças. Em alguns casos, podem até melhorar a saúde mental e o bem-estar das crianças e adolescentes, especialmente dos grupos marginalizados, que passaram por traumas ou que precisam de algum suporte extra.


Na Noruega, inclusive, um estudo apontou que não houve melhoras no rendimento escolar onde os celulares foram banidos das instituições de educação.


E aí, será que essa é a melhor solução? Precisamos todos pensar sobre o tema. Urgentemente!


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