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As derrapadas dos influenciadores digitais

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“♫ Toquei a centro e trinta/ Com destino à cidade/ No Anhangabaú, botei mais velocidade/ Com três pneus carecas/ Derrapando na raia/ Subi a galeria Prestes Maia/ Tremendão” (Rua Augusta, Ronnie Cord)


São os tais influenciadores digitais ou, como preferem alguns, digital influencers. Influenciadores existem desde sempre, por virarem celebridades repentinas, por serem artistas ou por terem algum conhecimento científico respeitado. São pessoas que têm a atenção de seu público ou do público em geral.


Agora, os digitais


Com a transformação digital pela qual a humanidade está passando, o ambiente de atuação dos influenciadores passou para o virtual. Ficou mais fácil atingir pessoas em todos os cantos do país ou do planeta com seus ensinamentos ou argumentos, mesmo quando são bobagens, mentiras, especulações ou escatologia (literal ou mental).


Pessoas sérias com assuntos sérios estão competindo com bestas ambulantes nos diversos campos do conhecimento (ou, no caso das bestas, do desconhecimento). E, convenhamos, é muito difícil discutir com pessoas que se apegam à ignorância e não aceitam raciocínios claros, lógicos, científicos e razoáveis.


Não é à toa que há séquitos para influenciadores que defendem que a Terra é plana e outras bobagens do gênero. Teorias da conspiração também estão entre os temas mais crescentes para quem sonha em viver da influência digital. E por aí caminha a humanidade... Não sei onde, como e por que tem se desaprendido tanto e se apegado dessa forma a inverdades e irracionalidades.


As Derrapadas


Ocorre que há responsabilidades. Tratemos, agora, dos influenciadores digitais sérios. Ou que, pelo menos, tentam ser ou se acham sérios em suas áreas de atuação. Educação, finanças, vida fitness, saúde, tecnologia, humor, qualquer uma.


Alguns deles esquecem que o que falam repercute e que muitos dos seus seguidores acreditam piamente. Dentre tantos exemplos bizarros que poderia dar, trago o do ex-presidente norte americano Donald Trump, que disse que o novo coronavírus poderia ser eliminado com desinfetante. Ele não falou sério, mas pessoas acreditaram e ele sabia que isso aconteceria. Resultado: em menos de um dia, só na cidade de Nova Iorque, o número de intoxicados por desinfetante mais do que dobrou.


Existem situações mais comezinhas. Alguns influenciadores com milhões de seguidores se acham acima do bem e do mal, ou, mais especificamente, acima da lei. Pensam que, por conta de seu sucesso (em número de seguidores) podem tudo: falar mal – além da liberdade de expressão – de qualquer um, utilizar imagens de outros sem autorização para fins comerciais ou para achincalhar, e até inventar mentiras. Essas derrapadas causam sérios riscos e problemas a pessoas específicas, a comunidades ou à sociedade como um todo. A internet e sua legião de seguidores não são uma capa como a do morcego Batfino, que os protegerá de tudo de errado que fizerem.


Os influenciadores são, sim, responsáveis por seus atos, falas e comportamentos. Se causarem prejuízos, serão obrigados a reparar; se praticarem crimes, responderão judicialmente. Por isso é importante que tanto eles quanto seus fãs tenham consciência sobre suas responsabilidades e, se for o caso, que contratem profissionais que os orientem da forma mais adequada em todos os aspectos. Influência digital é, hoje, sem sombra de dúvida, um negócio; um grande negócio. E pode ser um bom grande negócio se conduzido de maneira séria e responsável.

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