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Adeus, Jéssica!

Disrupção: Tudo com Raphael Rocha Lopes


“♫ Estátuas, e cofres, e paredes pintadas/ Ninguém sabe o que aconteceu/ Hum, ela se jogou da janela do quinto andar/ Nada é fácil de entender” (Pais e filhos; Legião Urbana).


A internet impacta direta e indiretamente a vida das pessoas. Isso não é novidade faz tempo. Possivelmente o impacto seja maior e mais forte que os do rádio e da televisão nos seus tempos de ouro. A internet está em todos os cantos, o tempo todo e sem horário de grade de programação. Ou seja, as pessoas podem ver o que quiserem, quando quiserem. Ou quando os algoritmos desejarem.

E a Jéssica foi mais uma vítima desse tsunami que ninguém consegue explicar direito.


O caso Jéssica

No final do ano passado, foram publicados em vários perfis de redes sociais focados em fofocas ou besteirol ou pseudonotícias (escolham a definição que acharem melhor), ou tudo isso junto, os prints de supostas conversas entre a Jéssica e Whindersson Nunes. Conversas que nunca existiram segundo a Jéssica e o próprio influenciador digital.

Apesar dos desmentidos e do pedido expresso da garota, os perfis mantiveram a publicação e, muito pior, passaram a fazer chacota dela, a linchá-la virtualmente. Ela tinha sérios problemas de depressão e histórico e tentativas de suicídio. A mãe implorou para pararem, também nas redes sociais. Não pararam. Ela morreu.

Embora o perfil Choquei tenha sido o maior alvo das críticas, foram mais de trinta perfis que atuaram coletivamente nesse achincalhamento da honra dela, nesse desrespeito à dignidade dela, nessa banalização e mediocrização das mentiras. Fake news matam.

Espero, sinceramente, que todos os envolvidos, direta ou indiretamente, principalmente se restar comprovado que houve uma atuação calculada e integrada entre estes ou alguns destes perfis, sejam rigorosa e exemplarmente punidos. E que sejam dados nomes aos bois.


Os algoritmos

E quem mais ganha com esses escândalos, mesmo que baseados em premissas falsas ou mentiras? Obviamente, as grandes plataformas de redes sociais, pois seus algoritmos conseguem mobilizar um sem número de corvos atrás de carniça digital e mantê-los, como zumbis, nos seus aplicativos, vociferando todo tipo de besteira enquanto são bombardeados por publicidade ou tendo sugados seus dados e metadados sem perceberem.

Ninguém consegue explicar exatamente como tudo isso acontece, apesar de todo mundo saber que acontece. Estão aí os exemplos dos cancelamentos digitais, das honras esmigalhadas, dos repentinos aumentos monstruosos de seguidores de um ou outro perfil ou página, das mortes da integridade e do bom senso. O dinheiro move montanhas.

A sociedade hoje é dependente da internet e das redes sociais. Há muita coisa interessante circulando também, mas, usando o velho chavão do jornalismo, notícia boa dificilmente dá ibope.

Qualquer que seja a punição para os envolvidos na morte da Jéssica (e ela não é a única vítima), civil ou criminal, não será suficiente. Enquanto não tivermos instrumentos mais claros para entender o funcionamento das redes sociais e formas de puni-las adequadamente, temo que choraremos por muito mais Jéssicas ainda.


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