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A tecnologia aumentará o abismo social?

Disrupção tudo com Raphael Rocha Lopes

“♫ Meu amor/ O que você faria se só te restasse um dia?/ Se o mundo fosse acabar/ Me diz, o que você faria?” (O último dia, Paulinho Moska)


Nas últimas três semanas conversamos, de forma mais direta, sobre os impactos que a tecnologia poderá trazer à humanidade e à sociedade no que se refere à empregabilidade, à longevidade e ao aumento das diferenças sociais.


Na realidade, sobre as diferenças sociais houve apenas uma pincelada no primeiro dos três textos anteriores e hoje será um rápido complemento. Não há como exaurir tema desta magnitude em uma coluna de jornal. A complexidade permite apenas algumas poucas provocações para nossas reflexões.


A tecnologia está alargando ou diminuindo o abismo social?


Como já disse e repito, a tecnologia permite uma vida muito mais agradável, saudável e divertida para o homem hoje do que era há cem ou mil anos. Não tenho dúvidas. Roupas, automóveis, comida no supermercado, internet, saneamento básico, hospitais e escolas equipados. Não tenho dúvidas que a vida hoje é bem melhor, pelo menos para quem tem acesso a esses benefícios.


Nesse meio tempo algumas profissões desapareceram e os trabalhadores tiveram que se adaptar às novas realidades. Daqui em diante a velocidade destas transformações será muito mais rápida (e cada vez mais rápida) e as adaptações mais complicadas, seja pelo tempo, seja pela quantidade de pessoas a serem afetadas. O pensador contemporâneo Yuval Noah Harari, autor de alguns best sellers, entende que esta revolução tecnológica pela qual a humanidade passa é o caminho abismo ainda mais profundo entre os ricos e os muito pobres.


O aumento das pessoas inúteis


Segundo o professor Harari, um dos maiores problemas da humanidade já seria passível de solução e só não o é por questões políticas: a fome. Se houver uma distribuição adequada do que se produz, ninguém morreria de inanição (e talvez nem de excesso de comida).


Outras questões também passam pelo viés político. Com o avanço rápido da tecnologia, as máquinas tomarão lugar de boa parte da mão de obra humana, criando as tais pessoas inúteis comentadas pelo pensador. Se os pobres não servem para trabalhar, não valeria a pena lhes dar educação ou saúde, eis que os muito ricos não precisariam mais se preocupar com falta ao trabalho ou com a compreensão, por seus empregados, de como as coisas funcionam.


Claro, esta é uma visão simplista de todo o raciocínio claro e complexo desenvolvido pelo historiador. Para entender melhor, concordar ou discordar, é necessário ler suas obras.


E, aqui, como dito, minha intenção não é esgotar o assunto ou mesmo dar um norte para tais pensamentos ou de como será o futuro da humanidade. É apenas provocar a reflexão se o caminho que estamos trilhando está correto e, mais do que isso, se há algo para ser feito de forma a deixar o futuro menos distópico.


É um exercício que todos devemos fazer, e não deixarmos exclusivamente nas mãos dos “grandes líderes”, dos “grandes empreendedores”, dos “grandes messias” ou dos “grandes irmãos”.


Não é o fim dos tempos, como na música do Paulinho Moska do início deste texto, mas o que você fará para que o futuro seja melhor?


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