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A síndrome da manchete, do whatsapp e o emprobrecimento coletivo

Disrupção: Tudo com Raphael Rocha Lopes


“♫ 'Cause this is thriller/ Thriller night/ Girl, I can thrill you more/ Than any ghost would ever dare try/ Thriller/ Thriller night” (Thriller, Michael Jackson)


Falo, há anos, em minhas palestras e artigos, da tal geração mimimi 140 caracteres. Mimimi porque não pode (por não saber) ser contrariada. Quando isso acontece, perdem o prumo, deixam de discutir o tema para detratar o interlocutor ou ficam emburrados. E isso acontece porque são, também, uma geração 140 caracteres, pois não leem mais do que isso para tirarem suas conclusões. O número é uma referência ao número de caracteres que o Twitter aceitava, em seus primórdios, como postagem.


Quando comecei a tratar deste tema, referia-me basicamente aos jovens, a uma turma que estava mais ligada nas redes sociais do que na vida real. Contudo (e aqui caberia uma daquelas músicas de filme de terror quando passa para uma cena assustadora), o pior aconteceu: hoje jovens, adultos e idosos estão no mesmo barco!


A síndrome da manchete


A manchete ou, no máximo, aquele texto resumido abaixo dela, tem se tornado a referência de conhecimentos de muitas pessoas. Ler a matéria inteira, que esclareceria a questão em si, não faz mais parte do hábito dos pseudoleitores de notícias. E qual a principal consequência disso? Pessoas com conhecimento rasíssimo que querem discutir, com base em uma manchete, como se tivessem lido um livro inteiro sobre o tema, seja qual for.


O gravíssimo é que esse tipo de pseudoconhecer de tudo tem se proliferado mais do que Gremlin molhado, contaminando mais mentes ao seu redor. E tem recebido uma sinistra ajuda: do WhatsApp e do Telegram.


A síndrome do Whatsapp


Havia uma brincadeira que dizia o seguinte: se não está no Google não existe. A trágica realidade criou uma mutação diabólica, malévola, bizarra e assustadora: se recebi pelo Zap é verdade!


A informação pode ser risivelmente absurda que, se a pessoa concordar com a essência, passa não só a acreditar, mas a compartilhar nos grupos que participa. Não interessa se é verdade; interessa que tenha gostado daquela versão. Não importa se vai prejudicar a vítima; importa a necessidade de ser o primeiro a compartilhar a mentira. Pesquisar fontes para quê? Veio do WhatsApp, do tio, do sobrinho, do pai, do filho, do primo, do amigo da empresa ou do colega do futebol, confia-se. E foi assinado por um certo doutor não sei o que e não sei do que.


O empobrecimento intelectual coletivo


Estranhos tempos estes. Antes se cultuava o conhecimento, a busca da informação correta, as enciclopédias, os doutores de verdade e os especialistas. Agora vejo pessoas dizendo que tal fonte séria é tendenciosa unicamente porque não é o que elas gostariam que fosse. Não conseguem mais avaliar tese e antítese para chegarem a uma síntese.


Há um empobrecimento intelectual coletivo terrível contaminando inclusive pessoas que antes prezavam pela discussão sadia.


Minha preocupação, há alguns anos, era com os jovens, que tinham uma certa preguiça de ir atrás de informações fidedignas por conta das falsas facilidades que a internet lhes proporciona. Hoje assusto-me com o esvaziamento intelectual em todas as faixas etárias.


Será que houve uma invasão alienígena nos cérebros da humanidade transformando muitos em zumbis conduzidos pelos WhatsApp e Telegram? Ou estamos prestes a viver numa eterna noite de terror se não acordarmos agora?



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