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A inteligência artificial e o você fake nas redes sociais

Disrupção: Tudo com Raphael Rocha Lopes



“♫ Tudo bem, até pode ser/ Que os dragões sejam moinhos de vento/ Muito prazer, ao seu dispor/ Se for por amor às causas perdidas” (Dom Quixote; Engenheiros do Hawaii)


Que cibercriminosos estão utilizando inteligência artificial para enganar ou tentar enganar as pessoas na internet não é novidade. E nem é tão recente assim também. O que está mudando, porém, são os alvos, as vítimas, as pessoas que estão tendo suas identidades usurpadas.


Nas últimas semanas, por exemplo, recebi uma avalanche de mensagens e contatos de pessoas que tiveram ou que conhecem alguém que teve suas redes sociais e suas contas de WhatsApp hackeadas, ou seja, invadidas e assumidas por bandidos que se passavam pelos verdadeiros titulares.


Qualquer um pode ser vítima


Nas aulas e palestras sempre tem alguém que me diz: - Raphael, não tenho o que me preocupar, pois não tenho dinheiro, não tenho fotos comprometedoras, não tenho nada importante no meu celular.


Esse é um engano clássico. Todos, andando na linha ou nem tanto, têm a perder se alguém invadir seus celulares. Uns mais, outros menos, mas todos têm. O único que não tem, em regra, é o criminoso ou, nesse caso, o cibercriminoso.


A perda do acesso aos perfis de redes sociais ou a aplicativos de comunicação como o WhatsApp são apenas dois exemplos. Você já imaginou se um bandido acessa todas as suas conversas e as compartilha com as pessoas erradas da sua lista de contatos? Já pensou se ele tira de contexto certas partes dessas conversas? E isso é só o começo de um possível grande problema.


Prejuízos materiais e morais


Os casos que têm me chegado nas últimas semanas estão mais aprimorados. Nas contas das redes sociais invadidas, os cibercriminosos estão postando vídeos das vítimas (os verdadeiros donos das contas) dizendo coisas que nunca disseram. Como? Com inteligência artificial. Pegam um vídeo postado qualquer, da vítima, passam por um programa de inteligência artificial e publicam. E fica muito bom no sentido técnico.


Agora tente imaginar o efeito disso: um vídeo da vítima, no perfil de rede social da vítima, falando sobre qualquer coisa. Como saber se é ela ou não, considerando que estas produções estão cada vez mais perfeitas? Não tem, para qualquer leigo, como saber. E está acontecendo: muitas pessoas estão sendo enganadas por esses vídeos fake das vítimas.


E normalmente nesses vídeos a pessoa (a dona do perfil com imagem manipulada por inteligência artificial) fala sobre algum investimento milagroso, alguma venda de produtos ou serviços, alguma indicação que pode ser a panaceia para quem está assistindo. Nesse momento, nasce a segunda vítima: a pessoa mais desavisada que acreditou no que está vendo porque, afinal de contas, conhece aquele amigo ou amiga e se ele ou ela está falando, em vídeo, principalmente, na sua própria rede social, deve ser verdade. E deposita, compra ou faz o que se pede.


Isso quando não deturpam a ponto de colocar a vítima (dona do perfil) dizendo ou fazendo coisas constrangedoras, comprometendo sua integridade moral, algo muito difícil de construir e fácil de destruir na sociedade da desconfiança de hoje.


Nestes tempos de golpes virtuais, uma recomendação do tempo das bisavós cabe como uma luva: canja de galinha e cautela não fazem mal a ninguém. Ao contrário, cautela é qualidade essencial para tudo o que se vê e ouve na internet hoje em dia, seja nas redes sociais, seja nos aplicativos de comunicação.

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