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A CPI do Rio Mathias e os desafios da fiscalização

Tome Nota com Enio Alexandre

foto: Alexandre Medeiros


Era o ano de 2021, a Câmara de Vereadores fervilhava de expectativa, e a tão esperada CPI do Rio Mathias era anunciada com entusiasmo. Uma investigação promissora que prometia trazer à tona os segredos enterrados sob o asfalto da cidade.

Vereadores, munidos de coragem política, embarcaram nessa jornada de transparência. Relatórios foram redigidos, audiências públicas realizadas, promessas de mudança ecoavam nos corredores da câmara. A CPI estava em ação.


Mas o tempo passou, e o entusiasmo inicial se dissipou como a neblina matinal. Os milhões de reais investidos em projetos inacabados se tornaram apenas números esquecidos, enterrados sob uma camada de asfalto nas ruas centrais da cidade. A pavimentação cobriu os buracos e todo aquele trabalho que precisa ser feito.

Enquanto isso, sempre que chove acima da média, as águas turvas do Rio Mathias continuam a inundar o centro da cidade, trazendo consigo lembranças amargas de promessas não cumpridas.


A população, resignada, enfrenta os desafios do dia a dia. Alagamentos constantes, esgoto a céu aberto, a dengue avançando impiedosamente. O saneamento básico, um direito fundamental, continua a ser um sonho distante para maioria dos joinvilenses, apesar de vivermos numa cidade com muitos recursos.


Uma nova tentativa de CPI surgiu nesta legislatura, desta vez mirando a Companhia Águas de Joinville. Afinal a única novidade oferecida pela companhia foi a luxuosa sede alugada por alguns milhões "no fio do bigode", na rua Tijucas. A estação da tratamento de esgoto do Vila Nova, que deveria estar em operação há muito tempo, sequer teve a obra iniciada. Quanto a CPI? As esperanças foram contidas. Como um trator os aliados do prefeito Adriano Silva na Câmara atropelaram aqueles que ousaram levantar a voz contra a companhia de saneamento municipal. A maioria na Câmara parece determinada a manter o status quo, deixando muitas perguntas sem resposta, os problemas sem solução.


Enquanto isso, a cidade segue seu curso, entre promessas vazias e problemas urgentes. A chegada da nova legislatura em 2025 traz consigo a esperança de uma nova era de fiscalização. Mas até lá, Joinville permanece à mercê das águas do Rio Mathias, e dos desafios que ainda estão por vir. Que chegue o inverno e que faça bastante frio para que o mosquito da dengue dê um tempo e que as chuvas de verão parem de provocar prejuízo para o contribuinte. Como dizem nas peladas de futebol? "Esse pode deixar livre, a natureza marca".




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